quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Imprensa

Por que morreu o cinegrafista da Band?
A morte de Gelson Domingues, ao vivo e a cores, além de ser uma tragédia, bombou audiências na TV e na internet. O que leva um profissional a correr riscos desnecessários como este? Por que as coberturas são sempre pautadas pela ação da polícia? O que se quer mostrar com a espetacularização da violência?
Gilberto Maringoni

O cinegrafista Gelson Domingo, de 46 anos, acompanhava uma operação do Bope na favela Antares, na zona oeste do Rio de Janeiro, no último domingo. Foi atingido por um tiro de fuzil, que atravessou seu peito. Ele usava um colete à prova de balas, permitido pelas Forças Armadas. Sua morte está sendo investigada pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil do estado.

A apuração pode demorar tempo.

O repórter Ernani Alves, que o acompanhava, disse não querer descansar enquanto o autor do disparo não estiver preso.

Gelson deixa três filhos, dois netos e sua mulher. Deixa também seus dois empregos, na TV Bandeirantes e na TV Brasil.

Gelson morreu ao vivo – sem trocadilho – e em tempo real.

O vídeo do tiroteio com sua agonia bateu recordes de acessos na internet.

A Bandeirantes também deu farta cobertura a respeito.

Em meio à dor e a estupefação geral, cabe a pergunta: por que Gelson morreu?

É possível arriscar pelo menos três fatores, que não são excludentes.

São eles:

1. Gelson colocou-se na linha de tiro por ser um repórter ousado.

Sim, é verdade. Gelson demonstrou grande coragem e ousadia ao se colocar em um ângulo que o deixava vulnerável.

O Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro alega que o colete que o cinegrafista portava na ocasião não o protegia de tiros de fuzil.

É possível que tenham razão, mas mesmo que usasse uma proteção mais grossa, o tiro poderia atingir seu rosto.

O mais provável é que Gelson tenha sido pautado para fazer a cobertura.

O mais provável é que Gelson também tenha decidido fazer aquela cobertura.

Cinegrafistas não ganham bem. O caso de Gelson é ilustrativo.

Para se manter, ele se virava em dois expedientes, em duas empresas.

Reportagem é uma atividade extremamente tensa. Não existe reportagem tranquila. Se é tranquila, geralmente não é boa.

Há uma tensão constante pelo melhor ângulo, pela declaração exclusiva, pelo furo, pela audiência, pelo alcance. Há uma pressão das chefias para que se supere a concorrência a todo custo e de qualquer maneira.

Essa tensão toda acaba sendo introjetada pelos repórteres em um mercado de trabalho extremamente competitivo. É preciso fazer mais, apurar mais, trabalhar mais, captar um detalhe, um grito, um tiro...

Algo semelhante acontece em outras categorias, regidas por um produtivismo exacerbado em busca de maiores ganhos em relações de trabalho cada vez mais precárias.

Nesse ambiente, as metas a serem atingidas por um profissional são progressivamente mais elevadas, como as colocadas diante de profissionais de vendas, bancários, operadores de telecentros etc. O trabalhador é premido pela escolha de trabalhar mais e mais horas, obtendo alguns ganhos, ou estabilizar seu ritmo de atividade e ser ultrapassado por um colega, correndo o risco de ser descartado num ambiente de alta rotatividade.

O sociólogo Ricardo Antunes define essa situação no seu O continente do labor (Boitempo):

“Quer mediante programas de qualidade total e dos sistemas just-in-time e kanban, quer mediante a introdução de ganhos salariais vinculados à lucratividade e à produtividade (de que é exemplo o Programa de Participação nos Lucros e Resultados – PLR), sob uma pragmática que se adequava fortemente aos desígnios neoliberais (...). finalmente o mundo produtivo encontrou uma contextualidade propícia para o deslanche vigoroso de sua reestruturação, do assim chamado enxugamento empresarial e da implementação de mecanismos estruturados em moldes mais flexíveis”.

É possível que Gelson tenha estado onde estava por decisão própria. Mas uma decisão pautada por um impulso produtivista inatingível, de ser o melhor, de se colocar como mais qualificado num mercado estreito e quase irracional.

2. O que Gelson estava fazendo lá?

A grande maioria das coberturas policiais é feita por repórteres que acompanham as tropas policiais. São avisados e pautados pelas autoridades policiais. Um repórter não vai a uma zona de confronto por ter apurado previamente um possível embate entre policias e bandidos.

Jornalistas acompanham forças de segurança aqui assim como jornalistas estadunidenses acompanham as tropas de ocupação no Iraque, Afeganistão e Líbia. São os embedded, embutidos ou embarcados, numa tradução ao pé da letra. Vão para mostrar o que as forças armadas determinam. Não fazem a pauta sozinhos. De certa maneira, funcionam como assessores de imprensa.

No vídeo fatal, Gelson estava atrás de um policial do Bope. Quase filma pela alça de mira do soldado.

Duas vozes se misturam:

“Olha lá, é vagabundo! Olha lá, bota a cabeça inteira! É vagabundo! Ta encurralado! Ta armado! Caralho!”

As direções de redação combinam detalhes de operações com as cúpulas das polícias. O tom da cobertura é o tom das polícias.

Para aqueles que não gostam do termo, lá vai: é a cobertura mais ideologizada que existe. Não está se mostrando “a vida como ela é”. Está se mostrando um pedaço recortado da vida, como alguém quer mostrar. O pedaço em que quem está do outro lado é “vagabundo”.

A ação é realizada no meio de uma favela. Não no meio de um bairro da zona sul. Ninguém chama um morador da zona sul de “vagabundo” assim, sem mais.

“Vagabundo” é o pé de chinelo, o pobre, exibido como troféu, agarrado pelos cabelos ou pelo pescoço diante das câmeras. Um espetáculo!

Não se sabe se os exibidos nesse caso da favela Antares eram de fato traficantes. São jovens moradores pobres de um lugar pobre. Já são suspeitos. Um dos quatro moradores do local mortos na operação não tinha antecedentes criminais. Cabe tudo no genérico “vagabundo”.

A chefia de reportagem deve ter pautado Gelson para ir até lá. A polícia deve ter pautado a redação.

3. Quem deixou Gelson ficar na linha de tiro?

Quem tem treinamento e conhecimento para situações de enfrentamento armado são as forças de segurança. Quem tem armamento para situações de enfrentamento é a polícia. No vídeo fica claro: Gelson se coloca atrás do policial que está atrás de um poste, mas à sua direita. Para captar a cena, teve de se expor.

Como as forças de segurança do Estado permitem que um leigo esteja no fronte de batalha sem essa mais aquela?

Gelson, mulher, três filhos, dois netos e dois empregos recebeu treinamento para isso?

Caso não, por que?

As coberturas das guerras de ocupação promovidas pelos Estados Unidos são feitas para nos dar a impressão de que tudo não passa de um grande videogame. Os jogos de guerra que existem no mercado são assim: profusão de tiros, sangue, explosões e muita cor. Mas é tudo inofensivo. O jogador do lado de cá da tela está protegido, com seu controle remoto, em sua poltrona na sala de sua casa ou numa lan house.

De vez em quando há um efeito 3D e tudo parece real.

No caso de Gelson, foi mais que isso.

Como no filme “A rosa púrpura do Cairo”, de Woody Allen, a cena sai da tela e vem para o mundo real.

O game over aconteceu quando a bala saiu da tela e veio para o que se chama mundo real. Enquanto estava lá na favela, o tiroteio era apenas um videogame para entreter boa parte dos telespectadores.

Era só coisa de “vagabundo”, personagens do jogo.

(De conversas com Adelina França e Igor Fuser)



Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

(Carta Maior)

Comidas

0.11.11 - Mundo
Las 6 mentiras que la industria alimentaria nos da de comer
Ecoportal.net
O diretório ecológico e natura
Adital
*Por Pauli Poisuo

Si hay una cosa en el mundo que la industria de la alimentación quiere evitar a toda costa es dejarnos algún control sobre lo que comemos. Tienen un almacén completamente lleno de lo que sea que compraron la semana pasada mientras estaban borrachos y necesitan deshacerse de todo. Y lo harán dándonoslo de comer. Y no importa cuantas molestas listas de ingredientes y protecciones al consumidor se interpongan entre nosotros y su beneficio.


6. El ingrediente secreto: ¡madera!


¿Saben qué es increíble? Un periódico. O para ser más precisos, la ausencia del mismo. Internet y otros medios electrónicos se están comiendo los medios impresos clásicos, dejando la difusión de casi toda la prensa en declive. ¿Alguna vez se ha preguntado que hacen con el exceso de pulpa de madera que ya no se consume en las rotativas? Usted se preguntará qué tiene esto que ver con los ingredientes de los alimentos. Y nosotros le miraremos directamente a los ojos y lentamente bajaremos la mirada hacia el bagel a medio comer que está en su mano… Oh, mierda.


McDonalds, una de las empresas que usa celulosa en sus productos.


El Horror:


Nos preguntábamos qué hacen con toda la pulpa de celulosa de madera. La respuesta es que la ocultan tras un nombre engañoso y nos hacen comerla. Eso es lo que hacen.


Resulta que la celulosa proporciona textura a los alimentos procesados, de modo que las compañías de alimentación han comenzado a usarla alegremente para reemplazar esos ingredientes ‘innecesarios’ e inadecuadamente caros como harina y aceite. Dado que la celulosa es un 30 por ciento más barata, comestible y no venenosa, la FDA no tiene interés en restringir ni su uso ni las cantidades máximas utilizables. Ni siquiera los alimentos orgánicos se salvan. Después de todo, la celulosa era madera y puede ser considerada orgánica.


Pero lo peor sobre la celulosa no es que esté por todas partes. Lo peor es que no es un alimento. La celulosa es, a diferencia de lo que crees que estás comprando, completamente indigerible por los seres humanos y no tiene valor nutricional. Puedes literalmente conseguir más nutrientes lamiendo el envoltorio.


5. Zumo de naranja zombie


Rápido, diga la bebida más saludable que cree poder encontrar en la tienda más cercana. Posiblemente responda zumo de naranja, ¿verdad? Es lo que te hacen beber cuando estás enfermo. Demonios, esa mierda debe ser como medicina o algo así. Y las etiquetas hablan siempre de beneficios para la salud: "100 por cien natural”, "No procedente de concentrado” o "Sin azúcares añadidos”.


¿Y por qué no creerles? Hacer un zumo es sencillo. Coges naranjas, las exprimes y pones el resultado en un envase con o sin la pulpa. Fin de la historia, inicio del deleite.


¿Pero qué pasa si le decimos que "recientemente exprimido” puede significar perfectamente que lo fue hace un año y que ha sido sometido a procesos que harían vomitar a Reanimator?


El proceso de fabricación del zumo de naranja tiene poco de natural.


El Horror:


¿Nunca se ha preguntado por qué todos los briks de natural, saludable, 100 por cien y no procedente de concentrado zumo de naranja saben exactamente igual a pesar de que no contienen aditivos ni conservantes?


La fabricación comienza exprimiendo las naranjas y es el primer y último paso normal en el proceso. El zumo es inmediatamente sellado en gigantescos tanques de los que se elimina todo el oxígeno. Eso permite que el líquido se conserve sin corromperse durante un año. Es por eso que pueden distribuirlo cuando quieran durante ese período, incluso cuando las naranjas no están en temporada.


Hay sólo un inconveniente en el proceso (desde el punto de vista del fabricante): esto elimina todo el sabor del zumo y ahora se encuentran con contenedores llenos de agua de fruta con sabor a papel y poco más. ¿Qué haría una gran empresa de bebidas? Recomponen el sabor de esa mierda con un mix de químicos cuidadosamente diseñado por las mismas empresas de fragancias que formularon CK One y otros perfumes. Entonces embotellan el agua de papel aromatizada de naranja y nos lo venden.


Y gracias a un agujero en las regulaciones, a menudo no tienen que mencionar los químicos empleados en la lista de ingredientes. ¿Oye ese lamento que viene de la cocina? Es el Minute Maid que compró ayer. Sabe que usted lo sabe.


4. Hamburguesas con amoniaco


Cualquier restaurante que sirve hamburguesas se desvive por asegurar lo naturales que son. Cadenas de restaurantes como McDonalds ("Todas nuestras hamburguesas están hechas 100 por cien de carne de ternera provenientes de granjas acreditadas”) y Taco Bell ("Como toda la ternera de los Estados Unidos, nuestra ternera 100 por cien premium es inspeccionada y pasa 20 controles de calidad”) responden felizmente por la autenticidad de su carne. Sus afirmaciones sobre lo saludable de su carne hacen parecer que estuvieran hablando de filet mignon.


Y al margen de la aparición esporádica de la E.coli, la carne está limpia. Es cómo consiguen que esté limpia lo que es perturbador.


¿Puedes oler el amoniaco? Delicioso, ¿no?


El Horror:


Amoniaco. Ya sabe, el químico usado en fertilizantes y limpiahornos. Mata la E.coli realmente bien. Así, inventaron un proceso por el que pasan la hamburguesa a través de una tubería que libera gas de amoniaco. Probablemente ha oído hablar en ocasiones de algún plato de carne que apestaba a amoniaco y fue devuelto al camarero. ¿Entiende ahora?


El proceso de amoniaco es una invención de una compañía llamada Beef Products Inc., que inicialmente lo desarrolló como un modo para poder usar las partes más baratas del animal, en lugar de esos tontos ‘cortes de primera’ que los competidores estaban ofreciendo (y que las cadenas de restauración juran que siguen sirviendo). Consecuentemente, Beef Products Inc. ha acaparado el mercado de hamburguesas americano hasta el punto de que produce el 70 por ciento de ellas. ¡Gracias, amoniaco!


3. Falsos arándanos


Es difícil no empezar a salivar al pensar en arándanos. Y lo que es mejor, son muy muy saludables. Todo es mejor con arándanos y por eso son usados en tantos productos. Ahora que lo pensamos, parece haber demasiados arándanos en muchos productos. Si se le ocurre que debería haber más campos de arándanos ahí fuera…


¿Verdaderos o falsos arándanos?


El Horror:


…no haría bien, dado que de todos los arándanos que ha comido en el último año, la cantidad que realmente provenía del campo es practicamente cero.


Análisis de productos que supuestamente contienen arándanos indican que muchos de ellos no vienen de la naturaleza. Esas bayas masticables y jugosas son completamente artificiales, fabricadas con diferentes combinaciones de sirope de maíz y químicos llenos de letras y números en sus nombres.


Hacen un jodidamente buen trabajo de falsificación, hasta el punto de que se necesita un equipo de análisis químico para poder llegar a desenmascararlos. También se puede tratar de encontrarlos en las listas de ingredientes si se sabe cómo buscarlos, aunque los fabricantes suelen camuflarlos bajo términos engañosos como ‘copos de arándanos’ o similares.


Hay muchas diferencias entre los de verdad y los Abominables Arándanos: los falsos tienen la ventaja de tener una larga vida y por supuesto ser más baratos de producir. Pero no tienen en absoluto ninguno de los beneficios para la salud y los nutrientes de los de verdad. Esto, por supuesto, no impide a los fabricantes montar el Tren de la Salud de los Arándanos hasta el final, imprimiendo fotos de arándanos frescos en los envases.


Ahora, hay buenas noticias: la ley obliga a los fabricantes a revelar el artificio a los consumidores. Las malas noticias, sin embargo, son que han evitado hacerlo mediante estrategias más o menos descaradas como seguir usando fotos de arándanos reales en los envases o mezclando frutos de verdad y falsos, de modo que no engañan diciendo que llevan arándanos (lo de que son sólo unos pocos no lo cuentan, claro).


2. Pollos ‘de granja’ que están hacinados en naves gigantes


Comprar huevos de granja es una de las maneras más sencillas de sentirse bien como consumidor, ya que son tan fáciles de encontrar como los ‘normales’, producidos en esas enormes prisiones de gallinas. Incluso cuestan casi lo mismo. No hay literalmente ninguna razón para no comprar huevos camperos aunque, ahora que caemos, no estamos realmente seguros de qué significa eso. Pero los animales seguro que viven en bastante buenas condiciones. De hecho, ¡compremos los pollos de granja también!


De acuerdo con la ley, la definición de ‘de granja’, es que los pollos criados por su carne "tienen acceso al exterior”. Ok, eso no es tanta libertad como creíamos, y sólo se aplica a los pollos criados por su carne. Pero al menos tienen algo de libertad.


¿Gallinas de granja, camperas...? ¿Seguro?


El Horror:


Las palabras son poderosas, y ‘de granja’ ['free range'] en su significado original significa sin vallado ni restricciones. Esto dota de sentido a esta expresión de modo que, no importa lo listo que se sea, invoca imágenes subconscientes de gallinas libres, montando pequeños caballos también libres en las llanuras, llevando sombreros de vaquero tamaño gallina y dejando un rastro de deliciosos huevos libres a su paso. Debería haber música de mandolina acompañando la escena.


Pero la realidad es que no hay absolutamente ninguna regulación para el uso del término ‘de granja’ para cualquier otra cosa que no sean pollos criados por su carne. Incluso tu chocolatina podría ser ‘de granja’ sin importarle al gobierno.


La industria sabe esto perfectamente y nos hace entusiasmarnos con el mito ‘campero’, incluso aunque en realidad una gallina viva en casi la misma prisión que las que lo hacen en baterías de jaulas, excepto que su vida tiene lugar en la ducha de la prisión, más que en la celda.


Las advertencias sobre este mito están creciendo lentamente, pero no son suficientes para contrarrestar el fenómeno global. En Europa se planea prohibir la producción en celdas en 2012. ¿Adivinan cómo será el sistema que lo sustituya?


1. Reclamos saludables engañosos


Nueces que reducen el riesgo de problemas cardiacos, yogures que mejoran la digestión y evitan enfermedades, alimentos infantiles que evitan a su bebé tener dermatitis atópica. Productos como estos están por todas partes hoy en día, y tenemos que admitir que es difícil ver los efectos. En cualquier caso, comemos yogures, ¿así que por qué no hacer lo mejor para nuestra barriguita?


Simplemente no podemos dejar de preguntarnos de dónde surgieron repentinamente estos alimentos mágicos. Un día tus cacahuetes eran cacahuetes y al siguiente, todo eran trastornos coronarios por aquí y reducir ataques al corazón por allá. ¿Tal vez los científicos alimentarios habían tenido un día realmente productivo?


O, por supuesto, podría ser que estábamos siendo engañados de nuevo.


Alimentos-medicamento: ¿son necesarios?


El Horror:


La gran mayoría de reclamos publicitarios saludables usan tecnología más antigua de la que imaginamos: el antiguo arte del engaño. Los ‘efectos saludables’ de los yogures maravilla y la mayoría del resto de productos con supuestos beneficios médicos para la salud pueden ser desacreditados completamente con facilidad. De modo que ¿por qué siguen pudiendo vendernos este rollo?


Todo comenzó en 2002, cuando muchos alimentos ordinarios ganaron de repente superpoderes nunca vistos. Es cuando la FDA aceptó el uso de una nueva categoría de reclamos publicitarios. Fue llamada ‘términos de calificación saludable’ y era básicamente otra lista de patrañas de marketing que las compañías podían usar para que sus productos lograran ciertas cualificaciones. Esto no era nada nuevo. Lo que sí lo era, sin embargo, era que la lista no necesitaba consenso ni pruebas científicas sobre los efectos saludables anunciados.


La expresión ‘no es necesario consenso’ es un modo de decir ‘paga a un tipo en bata blanca lo suficiente para que diga que tu producto es mágico y tomaremos su palabra como verdadera sin importar lo que diga nadie más’. Las compañías lo aplicaron rápidamente. De repente, todos tenían un respetado científico, o seis, y los documentos que publicaban decían cualquier cosa que quisieran usar en sus campañas de marketing y los envases.


No decimos que ninguno de estos productos carezcan de propiedades saludables. Hay suficientes a la venta, pero son difíciles de encontrar tras la constante corriente de reclamos publicitarios engañosos. Vamos, industria alimentaria, simplemente dígannos la verdad. ¿No saben que los comeremos de todos modos? Joder, la gente sigue comprando cigarrillos, ¿no? www.ecoportal.net


Nota:


Este artículo de Pauli Poisuo fue publicado por la revista Cracked.com con el título The 6

Most Horrifying Lies The Food Industry is Feeding You y traducido y posteado por David Avendaño en http://www.laaldeaglobal.com. Los datos se refieren al mercado de EEUU, habria que investigar lo que pasa en cada país, ya que se suelen repetir los mismos procedimientos
(Adital)

Futebol

mito do torcedor violento
By admin– 13/07/2011
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Pesquisadores sustentam: demonização das torcidas organizadas é parte da tentativa de elitizar o futebol e restrigir pobres a meros telespectadores

Por Irlan Simões, colaborador de Outras Palavras

Em maio de 2010, após intensas discussões entre o poder público, a Polícia Militar e presidentes de clubes, o estado de Sergipe tornou-se pioneiro em um processo que avança sobre o futebol brasileiro: a criminalização das torcidas organizadas (ou T.O.s). Uma mestranda do núcleo de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade Federal de Sergipe, Klecia Renata de Oliveira Batista, animou-se a avaliar tal fenômeno.

Durante dois anos, a mestranda sergipana acompanhou o funcionamento interno da torcida Trovão Azul, adepta do Confiança, interessada em estudar a violência no meio. Intitulado “Entre torcer e ser banido, vamos nos (re)organizar: um estudo psicanalítico da torcida Trovão Azul”, a tese tornou-se um documento inédito sobre a criminalização das torcidas organizadas a partir da realidade sergipana. “Foi um processo fundamental para o meu trabalho, justamente quando eu estava tentando mapear a pressão que a torcida vinha enfrentando no momento”, afirma Klecia.

Defendido em 27 de maio último, o trabalho de Klecia aponta: a “modernização” do futebol brasileiro visa na verdade adequar o jogo aos interesses do mercado; ela está sendo imposta mesmo que as transformações custem a perda dos valores culturais embutidos no futebol. “O que se vê hoje é a torcida organizada enquadrando-se ao que alguns historiadores chamam de torcidas-empresa, rendendo-se a uma lógica organizada pelo capital”, afirma a pesquisadora.

O Estado como protagonista

Visando explicar o fenômeno, a mestranda recorreu ao referencial psicanalítico de Sigmund Freud. Ela sugere que, na busca de uma adequação dos estádios e do jogo ao que se entende pelo “ideal da ordem, limpeza e beleza da Modernidade”. Justifica assim as medidas punitivas que têm sido tomadas contra as torcidas organizadas.

Segundo a pesquisadora, estes coletivos cumpriam papel de resistência a esse processo. “Hoje, não há mais margem de sobreviver no futebol fora desse padrão de “modernidade”. Dessa realidade, a única coisa que tinha sobrado eram as torcidas, que agora também estão sendo ameaçadas”, afirma. Para ela, a violência no futebol não se restringe às torcidas organizadas. Na realidade, a violência é própria da vida do homem em sociedade e as torcidas constituem, no âmbito futebolístico, um microespaço no qual essa violência se torna presente.

“O novo Estatuto do Torcedor é o carro-chefe desse processo de modernização”, afirma Klecia Renata, questionando o papel que o projeto aplicado pelo ministério dos Esportes vem cumprindo. Para ela, a lei sancionada em 2010 é responsável pelas ameaças de banimento, proibição da entrada nos estádios, venda de materiais padronizados e criminalização dos torcedores organizados. Ainda segundo a pesquisadora, a reorganização das T.Os tem gerado elitização de seu corpo de integrantes, uma vez que a concepção de que o torcedor mais pobre é o causador da violência é o que tem imperado no senso comum.

Panorama nacional

Além da orientação do professor Eduardo Leal Cunha e da presença de Daniel Menezes Coelho, ambos da UFS, a defesa da dissertação teve como convidado o historiador Bernardo Borges Buarque de Hollanda, doutor em História Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pesquisador do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea da Faculdade Getúlio Vargas (CPDOC-FGV). Estudioso do assunto há mais de dez anos, Bernardo reforçou, no seu comentário como integrante da banca da defesa da dissertação, a ligação entre o “ideal da ordem e limpeza da Modernidade” e o processo de elitização do público torcedor do futebol, traçando paralelos com os processos ocorridos em outros países, como a Inglaterra.

O pesquisador, que também estudou o histórico das torcidas organizadas no Brasil, lembra que criminalizar os torcedores uniformizados é parte do mesmo projeto que busca excluir o torcedor mais pobre dos estádios. “Isso é uma forma de elitizar o espectador, e essa vai ser a tendência. O “telespectador” vai ser o lugar das classes populares”, afirma. Bernardo justifica sua hipótese mostrando como os estádios têm diminuído, após sucessivas reformas, a sua capacidade de público e aumentado o valor dos ingressos buscando atingir apenas um público consumidor de classe média-alta.

Um aspecto também ressaltado pelo estudioso é a movimentação das torcidas organizadas buscando frear tal processo. No Rio de Janeiro, foi fundada a Federação das Torcidas Organizadas, a Ftorj, enquanto no âmbito nacional a Confederação das Torcidas Organizadas (Conatorg) dá os primeiros passos. “É sempre muito difícil uma representação das torcidas organizadas porque existem muitos conflitos internos e entre elas. Mas já é um sinal de que há um avanço, uma possibilidade de declamar direitos. Não apenas deveres, como querem os dirigentes”, afirma.

Quando questionado sobre como o senso comum brasileiro tem apoiado tal processo de modernização, Bernardo é enfático: “É muito desigual essa transmissão de mensagens”. Para ele há grande dificuldade em explicar como esse processo vai excluir os próprios torcedores que aprovam tais medidas.

O avanço do processo de criminalização

Em 13 de junho de 2011, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro acionou as torcidas organizadas para uma audiência pública. Estavam presentes representantes de 36 torcidas, do ministério do Esporte, da Polícia Militar, da secretaria de Estado de Esporte e Lazer, da superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj) e da Federação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro (Ftorj).

Todos os convidados tiveram de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que operacionaliza o Estatuto do Torcedor. Entre as exigências, estão a proibição de diversos artigos, como bandeiras, faixas, e materiais que possivelmente ocasionariam o ferimento dos presentes no estádio e a penalização da Torcida Organizada em caso de descumprimento de algumas normas por parte de algum dos seus integrantes.

Ao fim da Audiência, Flávio Martins, presidente da Ftorj, lamentou que apenas as torcidas organizadas fossem responsabilizadas pelo esvaziamento dos estádios. “Muito se fala da violência promovida pelas torcidas, mas nunca se questiona a condição do transporte público que tem sido disponibilizado, nem o valor dos ingressos e nem o horário dos jogos”, afirmou.

(Outras Palavras)

Poesia

Tua flor de fobia
fruto dessa dimensão
são pétalas envenenadas
sintetizando escuridão
Thank you for all
os tanques e o futebol
tuas medalhas de prata
revelar-se-ão, miragem
e a tal defendida pátria
naufraga na outra margem
Mas mió cardio
Que o edema
Que fizeram
em Iracema
Adeus, geriátrica farda,
Leve contigo um pouco
de veias arreganhadas:
de tristeza metálica,
de hematoma,pleura, neura,
Eu acuso o Cel. Mostarda!
(Gustavo Loureiro Conte, 2006)
s · Mural de Wilians
(Chupado de 'Juntos somos Fortes')

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Godard

Arquitetura da liberdade
.
Por Luiz Rosemberg Filho e Sindoval Aguiar, do Rio de Janeiro

O tradutor Celso Marconi traz à luz um Godard mais jovem aos 80 anos do que muitos devotos da experimentação sem causa.

“Mas se houver tristeza que seja bonita.”
Mestre Candeia

Dedicado ao curta metragem Partido Alto de Leon Hirszman

Colagem de Luiz Rosemberg Filho
Aí temos um rigoroso trabalho de um sólido militante da cultura. Um auxílio iluminado definitivo ao nosso empobrecido saber histórico, filosófico e cinematográfico. Godard e Youssef Ishaghpour em “Arqueologia do Cinema e Memória do Século”, numa brilhante tradução do filósofo, jornalista, crítico de arte e cinema Celso Marconi. Um pequeno livro mais que necessário e oportuno para esta nova geração sem muita expressão, moldada pela televisão e sua tecnologia de intimidação e controle.


Televisão que, sendo uma guerra aberta e permanente ao saber, ilustra bem um pensamento de Clausewitz em que diz: “A guerra é, portanto, um ato de violência exercido para obrigar o adversário a atender nosso desejo... Para alcançar esse fim com segurança, devemos tornar o adversário indefeso, e isto é, em princípio, o próprio objetivo da ação bélica.” Assim sendo, essa tradução oportuna de Celso Marconi, tem o efeito de uma vacina contra uma não-politização, tão necessária a essa permanente encenação bestial do poder. E poder e TV não estão intimamente ligados?

Espaços onde o ilegítimo torna-se referência do desânimo como justificativa da razão militar, que tudo tende explicar erradamente. Claro, o autoritarismo nunca foi um espaço do saber e do prazer, e sim do esvaziamento da poesia, do sonho, da imagem, da história e da revolta. Como sabiamente dizia Valéry: “O mais belo seria pensar em uma forma que tivéssemos inventado.” E é exatamente isso que Celso Marconi vai buscar em Ishaghpour e Godard, experiências de conhecimento que nos foram proibidas por anos e anos de fantasmagoria de encenação de horrores impostos por uma censura inserida por décadas na vida do país. E para quê?

Torna-se necessário reafirmar uma vez mais, a imersão do tradutor lá de Olinda num rico projeto tão anti-ilusionista mas potencializador de novos caminhos teóricos para o cinema. Uma tradução preenchida por um saber mais complexo desse ainda desnorteante Jean-Luc Godard, mais jovem aos 80 anos do que muitos devotos da experimentação sem causa. Na verdade, voyeurs e não cineastas significativos. Ousaríamos até dizer que o voyeur é uma distorção produzida pelo mercado de aberrações da política à TV, numa articulação feroz de inibição ideológica do real. Queiram ou não, tanto a TV como o cinema estão servindo como alimento repressor de intimidação e controle, para que não haja nenhum tipo de resistência ou dúvida quanto à ocupação do nosso mercado pelo lixo de fora e de dentro. E pelo visto o impulso ideológico criativo aqui morreu com Glauber que, sem exagero algum, sempre esteve muito próximo de Brecht e de Godard.

Trata-se de uma verdadeira cosmogonia onde foi se meter Celso Marconi com essa tradução sobre Godard, este verdadeiro Lucrécio de nosso Século XXI, inventor também, de nossa modernidade. Onde tudo é velho e, como querem, a caminho do lixo. Marconi ressuscita entre nós momentos reveladores desse cineasta que sabe olhar e ver mediunicamente, reinventando o mundo. Obra indispensável e oportuna, como oportuno é o tempo, o de mudanças. Assim é e deve ser o pensamento. Obra abrangente de um verdadeiro Godard, só e múltiplo. Como a totalidade, difícil de se revelar, na individualidade, o que só a arte possibilita. Uma real arquitetura da liberdade, o mundo cosmogônico do cineasta-filósofo e sentidor do mundo.

São diálogos em que todos estamos neles, direta ou indiretamente, dialogando também pela teleologia da paixão pelo cinema e a sua linguagem, impossível de se deter, mesmo ao longe, muito longe. Como o rabisco de um relâmpago que se vê e só se ouve depois. Esse é Godard de fogo que incendeia necessidades, alimentando-nos de luz e energia por meio da força invisível de imagens e linguagens que não podem ser tocadas. Abrigos que nos protegem nesta fase de ataque e de domínios contra o cinema, ao qual se refere essa obra maravilhosa e espontânea entre Godard e Youssef Ishaghpour, em seus diálogos. “Arqueologia do Cinema e Memória do Século” é, portanto, um repositório de todo o sentido dialético da história do cinema, através do pensamento e das ideias fruidoras, arrebentando comportas para que outras energias desvendem o verdadeiro significado dessa arte emblemática.

Quem conhece Celso Marconi sabe de suas paixões pela vida, pela arte e pelo cinema. E foram estes amores que fizeram com que se embrenhasse nessa difícil tarefa solitária de uma tradução como essa, em que surge um Godard fazendo história de outras histórias – uma sobrevida para todos nós amantes do inferno que fazemos paraíso através de imagens, histórias e utopias que o cinema nunca recusou. Uma ressurreição dos mortos e uma recuperação dos vencidos, esta a revolução de conceitos nessa bela obra. Uma cosmogonia de linguagem que se apresenta para que possamos caminhar também como um ser social ativo no processo econômico, histórico, político, artístico e cultural.

Esse é o mundo maravilhoso do mito e do conhecimento que Celso Marconi nos traz nessa sua tradução, aproximando Godard de Guimarães Rosa e Glauber (uma vez mais, e sempre)! Pelo olhar, o ver e o caminhar. Não sendo sem razão que Godard, no cinema, foi o único detentor do prêmio Goethe. E que ele, honrou-se, ao recebê-lo, mostrando que o Paraíso não é para qualquer um, o que nem Fausto conseguiu em suas trocas com Mefistófeles, na certeza de que todo poder é nulo se o ser social se manifesta como força histórica de si mesmo e de sua totalidade. Varrendo ele mesmo a história sem as estratégias de delegações, adornos e compensações, que o autoritarismo tem rotulado de Democracias! As insurgências do pensamento, das ideias, das imagens e do olhar e ver atentos, poéticos e humanos, de Godard. O que esse pequeno-grande livro nos revela em todo o seu esplendor e dialogismos.

A recusa do Oscar por Godard possui toda uma significação, a do próprio Godard, de seu cinema, de suas histórias, de seu imaginar, um homem comum e incomum que virou Ser com a presença do mito. Também para não ser, na invenção de outras e tantas histórias. A foto 3x4, num jornal americano com a manchete: “Procura-se”, só o engrandeceu. A mídia americana tentou fazer de Godard um fugitivo, um bandido como aqueles produzidos no grande espetáculo de violência e extermínio produzido quando a nação do Norte saía sem destino anexando o que encontrasse como território, riqueza e negócio. Uma saga de individualismo para a construção da sua totalidade de força, poder e destruição, o que suas guerras têm representado em todo mundo.

“Arqueologia do Cinema e Memória do Século”, nos revela uma montagem bela, generosa, abrangente e humana do tempo, esse intangível, que poucos tocam com Chris Marker, Godard, Resnais. E que Celso Marconi tocou, com sua tradução. Assombrosa, pelos desafios e percursos, na desconstrução do próprio tempo, transformando-o no tempo das musas, dos mitos e dos heróis! Com ela, Marconi não nega a sua tradição, a do gostar e a do ser nordestino. Este Nordeste de nossos maiores exemplos, em quase tudo, de gente, arte e histórias humanas. Sem dúvidas, Celso Marconi é parte de tudo isso, dessa ideia de Brasil que vamos construindo. Como Godard, construindo o mundo no cinema, nas ideias e na utopia!

Em breve numa livraria perto de você. Mas que seja lido como expansão da sua capacidade de sonhar e transformar o mundo para melhor.

23/10/2011

Fonte: ViaPolítica/Os autores

Egito

Egito: Wael Aly, símbolo
da revolução confiscada
.
Por Rabha Attaf e Fausto Giudice

Traduzido por Coletivo de tradutores Vila Vudu

O calvário e o julgamento de um pacifista egípcio mobilizam os que defendem os direitos humanos e
as liberdades democráticas em todo o mundo árabe.

Recordem. Em janeiro passado, um vento de liberdade, vindo da Tunísia, soprou sobre o Egito. Dezenas de milhares de egípcios tomaram a Praça Tahrir no Cairo, rapidamente seguidos por centenas de milhares de pessoas, para formar uma multidão de mais de um milhão de manifestantes. Como onda de poeira, a revolta popular tomou as principais cidades do país, de Alexandria a Assuã, passando por Suez e pelas cidades do Alto Egito, como Assiut e Al Minia. A palavra de ordem “chaab yourid askat el nidham” (O povo quer o fim do regime) sobrepôs-se a todas as demais!

Rapidamente, o exército tomou posição nas ruas do Cairo, interpondo-se entre os manifestantes da Praça Tahrir e as hordas de contrarrevolucionários agenciadas pelo regime, sobretudo durante as jornadas de enfrentamento do início de fevereiro que cobraram o preço da vida de muitos “mártires da revolução” que tombaram em combate. Correu sangue, marcando um ponto sem volta, que precipitou a queda do “raïs el makhloua” Moubarak. Dia 11 de fevereiro, à noite, o Conselho Superior das Forças Armadas [ing. SCAF] anunciava a destituição do ditador, desencadeando júbilo popular inimaginável.

Os egípcios viviam como se um sonho se tivesse realizado. Tudo seria possível: o exército estava com o povo e recusara-se a atirar contra a multidão; um novo governo fora nomeado e a coalizão de revolucionários convidada a discutir com Essam Sharaf, primeiro-ministro, para construírem os fundamentos do novo Egito, um Egito “democrático”, diziam eles.

Mas os acontecimentos se precipitaram. As reuniões de cúpula pariram um rato: nada de nova constituição, só emendas precipitadamente apresentadas a um referendum popular, no dia 19 de março. Os dados estavam viciados, porque a abertura controlada do campo político só permitiu, de fato, que a principal força política do país, a Fraternidade Muçulmana, novamente se organizasse em partido (Partido pela Justiça e Liberdade) e confiscasse o processo eleitoral. E, assim, que sufocassem as aspirações do polo revolucionário, mediante o controle da sociedade que eles enganam há décadas, por diferentes embustes culturais e caritativos.

Mesmo assim, apesar do desencantamento gerado pela vitória do “Sim” favorável a um arremedo de reforma constitucional e ao apressamento do calendário eleitoral, a contestação popular não arrefeceu. Os irredutíveis da Praça Tahrir continuaram lá, a qualquer preço, todas as 6as-feiras dessa primavera árabe, a repetir suas legítimas reivindicações: justiça para as famílias dos mártires, nova constituição e novo calendário eleitoral, com tempo suficiente para que os partidos democratas se organizassem livremente. E, finalmente, novo governo civil, com a volta dos militares à caserna!

Houve uma reivindicação a mais, um excesso, do ponto de vista do SCAF, que se autodesignara “garantidor da revolução”. Inaceitável, porque no Egito, como em todas as ditaduras comandadas com mão de ferro por militares, o exército sempre foi base de defesa do regime no poder!

Rapidamente os ocupantes da Praça Tahrir compreenderam. Em seguida, dia 9 de março, o exército tentou pela primeira vez, ajudado por agentes contrarrevolucionários rapidamente batizados de “baltaguiya” (assaltantes), esvaziar a praça. A operação deixou dezenas de feridos, dezenas de manifestantes presos e imediatamente levados a julgamento pelo tribunal militar! Depois, na noite de 9 de abril, um dia depois da manifestação monstro de 8 de abril, outra vez, mais de um milhão de manifestantes invadiram a praça Tahrir. Essa jornada, durante a qual o presidente deposto Mubarak foi simbolicamente julgado por um tribunal popular, deveria ser, na opinião do SCAF, a última e marcar o fim dos protestos populares. Mas um acontecimento inesperado perturbou os planos ardilosamente construídos, com a cumplicidade da Fraternidade Muçulmana que assumiram o controle da praça. À multidão, somara-se um batalhão de militares vindos de Suez e, logo depois do meio dia, os oficiais haviam sido vaiados quando subiram à tribuna, o que desencadeou euforia na multidão. A linha vermelha havia sido ultrapassada, e a resposta não tardou. Dessa vez, o exército atacou brutalmente.

Na noite de 8 para 9 de abril, pouco depois das 3h da madrugada, a polícia militar e as forças especiais chegaram à praça com ordem de evacuação geral. Cercaram centenas de manifestantes e os aterrorizaram, com rajadas de metralhadora para o ar e golpes de cassetetes elétricos. A praça Tahrir converteu-se rapidamente em palco de cenas de violência urbana de rara intensidade: tiros de advertência, veículos incendiados, pedras atiradas contra os militares e, até, um “alto oficial” agredido pela multidão enfurecida. Objetivo principal: cercar aquele grupo de militares que, tomados pela embriaguez das massas, muito rapidamente se apresentaram como “livres”. Saldo dessa noite terrível: 19 civis e dois “militares livres” mortos, dezenas de feridos... Tudo foi rapidamente camuflado. Pela manhã, a praça estava aberta à circulação, completamente limpa!

Para mascarar seu crime – mas também para aterrorizar os manifestantes – o SCAF emitiu mandado de prisão contra Wael Aly Ahmed Aly, ativista pacifista da praça Tahrir, mais conhecido pelo nome de Wael Abouleil. Apresentado como contrarrevolucionário a soldo de Ibrahim Kamel, empresário ligado ao clã Mubarak, Wael foi acusado de induzir a população à revolta contra o exército e de, por essa ação, ter provocado a morte de civis na famosa noite de 9 de abril. Acusação forjada em todos os detalhes, sem qualquer fundamento ou prova.

Na verdade, Wael Abouleil é exemplar do novo revolucionário do mundo árabe. Filho de classe média ameaçada pelo desemprego e pela miséria, com diploma universitário, agente de turismo formado, Wael Abouleil é independente e não tem ambições políticas. É homem de caráter jovial e de infinita paciência, traços que rapidamente conquistaram a simpatia de muitos jovens das classes populares e sem recursos. É democrata horizontalista, que sabe escutar e responder às demandas dos mais pobres e os incita a pensar para dar mais pleno sentido às suas ações. É homem também de alta capacidade de organização logística, que desenvolveu enquanto trabalhou no setor turístico.

Não surpreende, portanto, que se tenha convertido em alvo preferencial do SCAF, decidido a retomar, por todos os meios, o controle da rua egípcia. Preso dia 13 de abril, logo depois de uma conferência de imprensa na qual anunciou que se rendia, Wael foi julgado num primeiro julgamento e absolvido, dia 11 de maio, pelo tribunal militar.

Mas seu calvário continua: dois outros acusados no mesmo processo foram libertados, mas Wael continuou preso e, logo depois, foi acusado em outro processo criminal, construído do começo ao fim, com a ajuda do depoimento de duas testemunhas falsas confirmados pela... polícia política! Um complô do começo ao fim, armado com requintes dignos dos processos da época de Stálin, destinado a matar ainda no ovo qualquer futura contestação contra o regime militar.

O julgamento de Wael Abouleil começará dia 24 de outubro próximo, na Corte Criminal do Cairo. Há risco real de ser condenado a longa pena de prisão, ou a pena ainda mais drástica, porque o tribunal será presidido pelo juiz Adel Esam Gom’a, sistematicamente designado para julgar processos de conteúdo político. Gom’a tem fama de “matador”, o que não permite que se espere qualquer solução justa para o processo.

Nesse contexto, a defesa de Wael é questão vitalmente importante para todos os muitos prisioneiros políticos que enchem as cadeias do Egito (atualmente, são 12 mil!). Seu caso deve servir de exemplo para todos que defendem os direitos humanos e as liberdades democráticas no Egito, e também em todo o mundo árabe, onde milhares de outros Wael levantaram-se, na luta para que outro mundo seja possível. Só uma onda de solidariedade transnacional poderá obrigar os carrascos a absolverem Wael e o deixarem partir em liberdade.

Para todos os contatos e para saber como apoiar a defesa de Wael: egypteaucoeur@gmail.com

Petição http://www.ipetitions.com/petition/waelalyhor/

Wael Abouleil, militante egípcio do movimento democrático independente da Praça Tahrir, está preso desde 13 de abril de 2011, sob acusações falsas, sem provas. Seu julgamento está marcado para o dia 24 de outubro próximo e pode ser condenado a penas muito pesadas. Esse pacifista, combatente da liberdade, tem de ser absolvido de todas as acusações feitas contra ele e deve ser imediatamente libertado.

22/10/2011

Fonte: ViaPolítica/Os autores

URL: http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=6020

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Posted on 08/11/2011
by boitempoeditorial| 2 comentários


Pintura de Cícero Dias
Por Urariano Mota.

Duas vezes por semana tenho a sorte de ensinar Português a adolescentes de bairros populares. Diria melhor, de tentar ensinar o muito pouco que sei. Diria melhor, de me aventurar a ensinar, mui afoitamente, conhecimentos sobre os quais eu não tenho nenhuma certeza. Diria melhor, direi melhor: quem me lê não pense, por favor, que esta confissão de ignorância é uma exibição de puro farisaísmo. Ela é, antes, um pedido de desculpa aos professores que conhecem bem a língua portuguesa. E depois, um pedido de clemência aos que pensam que a conhecem, cheios de certezas. “Saibam”, digo aos sabedores convictos, “sou tão burro em português quanto os companheiros”. Mas vamos.

Os alunos, tenho notado, aqui e ali se mostram menos ignorantes que este mestre. São mais sábios, apesar da idade, dos 15 aos 17. Assim tenho notado porque, aqui e ali, em lugar das lições de minha ignorância em advérbios, substantivos, orações (e todas as vezes em que sobre isso lhes falo, ou em que insensatamente me arrisco, sinto os olhos virados para o teto, à procura de uma interjeição, ou à procura do voo substantivo da mosca, que sempre pousa no melhor gênero de adolescente, sobre a coxa da mocinha ao lado)… como eu dizia, não houvesse a interrupção dos parênteses, aqui e ali, em lugar das grandes lições da norma culta, que sempre repito como um papagaio, eles me pedem que lhes conte uma história. Como são sábios!, reconheço, aliviado. Uma história, sim, uma história boa, verdadeira, de preferência acontecida com o mestre, que não possui o talento precioso de contá-las, mas possui a vantagem de ser o seu personagem, o que vale dizer, o personagem do mestre é um sujeitinho ridículo que já vem pronto. Mas antes do começo, uma vez que são um desvio do programa, é preciso um gancho. Como nesta semana.

– Professor, pois assim me chamam, professor, eu não consigo entender poesia.

Quem assim me fala é um rapazinho de cabelos louros, descendente de índios. Não estranhem, é o caldeirão do Brasil. Então lhe respondo eu, descendente de negra com branco e de índio também, mas não se espantem, sou o português do Brasil, então respondo, para todos os adolescentes pobres da sala, iguaizinhos a um ser que fui um dia.

– Na idade de vocês, a gente sempre procura a poesia quando tem uma desilusão amorosa. Então a gente lê e entende tudo. Vocês já tiveram alguma? Não?! Nunca receberam um fora, nunca foram rejeitados por quem vocês amavam? Hem? (Silêncio em palavras, mas seus olhos tristes confirmam. E por isso desarmo a sua tristeza, insinuando-lhes a minha.) Pois eu já. Isso já me aconteceu. Mas é uma história, nosso tempo é pouco…. vamos ao programa.

– A história, a história, professor!, pedem-me, os rapazes porque desejam rir, as mocinhas porque desejam chorar e rir:

– A história, por favor…

E por isso começo. Foi assim.

A moça que me revelou a poesia era a filha de um professor. Ela me revelou a poesia de um modo indireto, ou muito direto, vocês vão ver. Ela era bonita a partir do nome, que não vou dizer. O seu nome era um daqueles que são o feminino de um nome de homem, que ficam belíssimos quando se traduzem para a mulher. (“Antonia, Amarilda”, os gaiatos me gritam.) Não, estes não, não adianta, não vou dizer. Pois bem. Ela possuía um moreno hindu, uma pele morena de uma paquistanesa, que até hoje não esqueço. (Sinto que vou me perder.) Pois bem. No começo, eu ia à casa do professor pelo professor. E aqui e ali, para pegar o almoço também, em dias de domingo. O professor, como era um grande humanista, sabia que a melhor humanidade era alimentar um estudante com fome. No começo. Depois, quando a vi, passei a ir, todos os fins de semana à casa do professor, pela filha também. Mas eu não podia amá-la ainda. Eu ali chegava em estado de necessidade, sem dinheiro, somente com a passagem de volta, às vezes nem isso. Acho que foi a partir daí que nasceram as minhas qualidades de andarilho. Pois bem. Naquele estágio eu não podia amá-la. Vocês sabem o que é isso: é não ter dinheiro para convidá-la para um cinema, é não ter com que comprar um chocolate, uma pastilha boa, daquelas que refrescam o hálito com um perfume e um frescor que se sentem à distância… Vocês entendem. É muito difícil ter direito ao amor quando a gente não tem nada. Vocês me entendem. (Os olhos deles ficam mais tristes. Por isso, dou-lhes um tapa com um desvio rápido.) Mas aí eu arrumei um emprego. Sim, comecei a trabalhar. Mas me faltava a coragem. Vejam vocês. A sala de estar da casa do professor era uma biblioteca. Sentem o que é isso? Em nossas casas a sala de visitas é onde se exibe o nível financeiro do dono – bons móveis, boa televisão, excelente som, sofás… um bando de quinquilharia. Na casa do professor, não, e agora digo o nome dele, o dele deve ser dito: Arlindo Albuquerque, humanista professor de francês e português do Colégio Alfredo Freyre, em Água Fria. Na casa dele, não: os livros se ostentavam em toda a sala de entrada da casa. Pois bem. Ca… quase eu digo o nome dela, a minha namorada, a minha enamorada… enquanto o professor não vinha, me recebia com um shortinho, com as suas pernas morenas de enlouquecer, a estudar livros de medicina. (Os olhos dos adolescentes brilham.)

– Medicina? Ela era mais velha que o senhor?

– Sim, acho que um ano, mas nessa fase em que eu trabalhava, eu já estava com 20 anos… Mas eu não tinha coragem. Quanto mais a queria, mais me fechava. É claro que ela percebia isto. A mulher, ainda na adolescência, percebe quando alguém está interessado nela. Não sei aonde vai buscar essa ciência, sem que ninguém lhe diga…. (As adolescentes concordam, os meninos protestam.) É uma coisa animal! (E perco o apoio feminino, que por sobejas razões não se quer nivelar à fêmea das selvas.)

Pois bem. Acontece que nessa ocasião um amigo nosso arruma o seu primeiro emprego. E por essa felicidade todos deveríamos comemorar, e comemorar era beber, beber, e cantar. O que fizemos. O certo é que na volta, os que vinham em cima da caminhonete, eu e outros, numa curva maldita fomos arremessados ao chão. No que recuperamos de imediato a lucidez. Ficamos bons, do susto. Pois bem. Esse incidente, com absoluta impropriedade, foi contado a ela, ou melhor, com absoluta propriedade, porque ocupava o lugar do que não se podia dizer: que eu era e estava louco por ela. (E nesta altura eu não lhes conto o quanto havia de loucura, em razão da existência de castas numa sociedade de mestiços, o quanto era impossível esse amor.) Pois bem, foi contar o incidente e ela rir, sorrir, gargalhar, gargalhar como as vilãs de novela de televisão, aquelas vilãs bonitas que desprezam os mocinhos virtuosos, que não têm no cu o que periquito roa.

– Conhecem a expressão “não ter no cu o que periquito roa”? Essa expressão (sinto o ar de desalento para qualquer exegese)… Pois bem. O seu riso me chocou, e por isso tentei um poema em prosa. Dizia… “Uma mulher distante, de moreno hindu, com os olhos amendoados passeia sobre a minha vida. Januária distante, Januária sem janela, ela sorri e zomba de pretendentes que caem bêbados de caminhonetes… Que não sorria tanto, que não posso ficar assim, indefinidamente à espera dessa mulher que me tomou a vida”. Então que fiz eu? Saibam, a insensatez é uma marca da sua idade. Que fiz? Numa bela tarde, vou à sua casa, e na saída, ao portão, entrego-lhe esse escrito, e corro, e saio correndo, acreditam?, corri para bem longe dela, sumi, fui. E assim se passaram três meses, três vezes longos 30 dias suportei, até uma certa manhã em que volto. E entre nós se passa este breve diálogo:

– Você leu?

– O quê?

– A poesia … (“a inocência é uma arte!”, eu me digo.)

– Ah, aquilo?

– Sim, engulo, “aquilo”.

– Ah, eu não sei ler poesia.

Então ela me ensinou ali o que era e o que não era poesia, então ela me disse ali que a poesia não atravessa a pele de quem é imune ao sofrimento de outros. Vocês não imaginam o quanto me atirei à leitura dos poetas. Vocês percebem?

Eles percebem, entendem, ficam sérios, sorriem. Não sei se isso é pedagógico, não sei se isso vem a ser uma boa aula de português, nem mesmo sei se isso é longinquamente educativo. Não sei. Mas estas minhas histórias para adolescentes pobres têm tido um grande sucesso. Eles sempre me pedem outra.


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O livro de Urariano Mota publicado pela Boitempo, Soledad no Recife, já está à venda em versão eletrônica (ebook). Para comprar, clique aqui.

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Urariano Mota é natural de Água Fria, subúrbio da zona norte do Recife. Escritor e jornalista, publicou contos em Movimento, Opinião, Escrita, Ficção e outros periódicos de oposição à ditadura. Atualmente, é colunista do Direto da Redação e colaborador do Observatório da Imprensa. As revistas Carta Capital, Fórum e Continente também já veicularam seus textos. Autor de Soledad no Recife (Boitempo, 2009) sobre a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife, em 1973, e Os corações futuristas (Recife, Bagaço, 1997). Colabora para o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças.

(Blog do Boitempo)