segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Tempo
apaixonadamente curiosa
pela complexidade do óbvio
Considerações sobre o tempo
por Mylanne Mendonça em 04 de dez de 2012 às 02:40
Carpe diem, viva a vida, 'tudo tem sua hora' são apenas clichês e mantras pra pregar na geladeira, dada a inconstância do tempo. Não podemos para-lo, não podemos adianta-lo e não podemos acompanha-lo.
Quando tentamos "colocar tempo" na vida, sempre temos a impressão de que as coisas acontecem cedo ou tarde demais, que estamos perdendo tempo ou nos adiantando a ele, comparamos o nosso tempo com o tempo do outro, sempre precisando de um sentido pra orientar o fluxo da vida e não parecermos tão sem rumo. Mas de repente estamos presos num tempo que nós mesmos inventamos, acreditando que a vida escorre por nossas mãos como a areia numa ampulheta. Adiar alguma coisa por acreditar que ainda não é tempo é supor que teremos esse tempo depois ou até mesmo que haverá um depois, e dessa dúvida surge a preocupação de que estamos perdendo tempo por não saber quanto tempo ainda teremos, mas tudo isso é subestimar o próprio tempo. Dividir a vida em ciclo é desnecessário porque a própria vida é parte de ciclo maior e qualquer tentativa de fraciona-lo é ir contra seu maior fundamento: viver.
Dividir o tempo em ciclos é o que nos faz acreditar no final de cada dezembro, que o ano novo será melhor. Mas dessa mesma divisão surge a idéia de que o mundo vai acabar em 2012. Sejam em dias, meses, anos ou milenios, esses ciclos só tem função de nos orientar quanto ao processo histórico e social, mas não é um elemento que carrega em si a existencia da vida.
Mesmo tentando aproveitar ao máximo, o tempo nos mostra o tempo todo que dele não fugiremos e que não temos controle sobre ele.
mylannemendonca
Artigo da autoria de Mylanne Mendonça.
Observando com interrogação. Vivendo com exclamação e sonhando com reticências!.
Saiba como fazer parte da obvious.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Israel II
A nova realidade em Gaza
1/12/2012, Ramzy Baroud, Asia Times Online
“The war ahead in Gaza”
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Ramzy Baroud
Há fenômenos que não se explicam pela lógica ordinária, nem em linguagem técnica, muito menos em discursos oficiais. Como Gaza conseguiu reagir e resistir com tal vigor, enfrentando Israel e sua mais recente guerra, apesar dos anos de sítio sangrento e sob agressão ininterrupta, ainda mais enfraquecida, como parecia, depois dos ataques israelenses de 2008-9? Impossível explicar, na linguagem fora de moda dos “analistas” e “especialistas” da imprensa-empresa que há hoje. Por menos que digam, porém, muitos já viram que está emergindo em Gaza uma nova realidade.
Na “Operação Chumbo Derretido” [ing. Cast Lead] de 2008-09, Israel matou mais de 1.400 e feriu mais de 5.000 palestinos. Foi como pescar num barril. A maioria das vítimas foram civis, como sempre é, nas guerras de “autodefesa” de Israel. Investigação conduzida pela ONU, cujo relatório foi publicado em setembro de 2009 concluiu que há “provas de graves violações de direitos humanos e de leis humanitárias cometidas por Israel durante o conflito de Gaza; de que Israel praticou atos que se definem como crimes de guerra; e, possivelmente, também cometeu crimes contra a humanidade”.
Não faltaram indiciamentos e condenações, como certamente também não faltarão nas análises que se façam dos mais recentes oito dias de guerra de Israel contra Gaza. Muitos já falam de o quanto a opinião pública começa a virar-se contra Israel; de que o autodeclarado Estado Judeu está perdendo o controle sobre a velha narrativa, sempre repetida, de David versus Golias; ou de como os EUA já não conseguem proteger Israel, ante a angústia profunda de milhões de palestinos que vivem sitiados, implorando ajuda e solidariedade ao mundo.
Tzipi Livni
Boa parte disso tudo é, sim, verdade. Mas também é verdade que Israel conseguiu arrastar Gaza e o resto da Palestina de volta ao status quo – apesar dos crimes hediondos que cometeu há quatro anos – que precedeu a guerra. A ex-ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni disse a jornalistas, dia 12/1/2009, que Israel deliberadamente “enlouqueceu” em Gaza, para “restaurar (...) o poder de contenção de Israel. O Hamás entende hoje que, se atirar contra israelenses, Israel reage enlouquecidamente. E isso é ótimo”.
Foi bom, sem dúvida, para os EUA e para muitas potências europeias que jantaram e tomaram vinho alegremente com Livni em Bruxelas, pouco depois da guerra, como se não houvesse milhares de mortos e outros milhares de feridos, ou como se famílias inteiras não tivessem sido assassinadas sem ter praticado crime algum; e como se uma nação inteira não estivesse ainda em luto pelos seus filhos, homens e mulheres.
Não é que Israel tenha sido especialmente competente no trabalho de restaurar a própria posição entre os círculos oficiais ocidentais nos últimos quatro anos, o que lhe daria confiança para novamente assaltar Gaza. De fato, Israel jamais perdeu essa posição. Aquelas potências (a começar por Washington e Londres) nunca deixaram de apoiar Israel com tecnologia assassina de ponta, estimulando a economia de Israel, apesar de, internamente, suas economias estarem em frangalhos e, claro, sempre apoiando, em todas as oportunidades, o direito de Israel “se autodefender”.
Os 22 dias de guerra de Israel contra Gaza em 2008-09 foram, de fato, uma continuação de outra guerra, longa, tão longa que é difícil demarcar datas. Palestinos em Gaza (e em todos os territórios ocupados) morrem ininterruptamente, em levas de mortos que aumentam ou diminuem, conforme o humor político reinante em Telavive.
Em 2008, o enfraquecido partido Kadima usou a guerra para ganhar votos, entre eleitores obcecados por segurança. Em 2012, outra vez, aí estão as eleições gerais em Israel. Nos dois casos, Israel derramou sangue palestino, no mesmo jogo da mesma política sangrenta. E as estrelas em ascensão na política israelense lá estavam, para impressionar seus eleitores subjugados.
Gilad Sharon
Quando “mais de 90% dos judeus israelenses apoiam a guerra de Gaza” (Ha'aretz, 19/11), é menos chocante ler Gilad Sharon (filho do ex-primeiro-ministro de Israel e várias vezes acusado de crimes de guerra, Ariel Sharon) escrever no Jerusalem Post: “Gaza deve ficar sem eletricidade, sem gasolina, sem carros que andem, nada, nada. Então, eles pedirão o cessar-fogo (...). Temos de arrasar, pôr no chão quarteirões inteiros de Gaza. Gaza no chão, toda Gaza, nada em pé. Os americanos não pararam em Hiroshima – os japoneses estavam demorando para render-se – então destruíram também Nagasaki”. [1]
Pois o que estava previsto para ser mais uma temporada de caça de civis e de combatentes em Gaza, como se fossem todos a mesma coisa, não saiu como estava previsto. A “Operação Pilar de Nuvem” foi pensada como coleção de oportunidades que o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu e seu ministro da Defesa, Ehud Barak colheriam festivamente, enquanto erguiam os dedos em gestos ameaçadores, e ganhariam o máximo de pontos políticos possíveis, antes de que a pressão internacional começasse a crescer. Não aconteceu assim. A guerra contra Gaza em 2012 foi fracasso político de proporções históricas para Israel.
Os balões de ensaio de Israel foram postos abaixo por centenas de foguetes palestinos que já chegaram bem perto no norte de Telavive e a oeste de Jerusalém. O que foi planejado para quebrar a resistência, para que nenhum palestino jamais voltasse a ousar reclamar da ocupação, do isolamento político imposto por Israel, do sítio sufocante, nem das guerras “de contenção” de Israel, resultou numa nova estranha realidade que forçou israelenses, por todos os cantos, a buscar abrigo. Quando as sirenes soaram, Israel parou; os israelenses afinal conheceram bem de perto o que os palestinos vivem praticamente sempre, todos os dias.
Morreram 167 palestinos e mais de 1.000 foram feridos. Seis israelenses morreram, entre eles um soldado ferido que morreu depois de implantado um cessar-fogo, mediado pelo Egito, dia 21 de novembro. Mas não é a quantidade de sangue derramado que torna diferente essa guerra, porque a proporção de mortos manteve-se horrendamente a mesma.
A guerra de 2012 foi diferente por causa da natureza da mensagem que o Hamás e outros grupos da Resistência tornaram, afinal audível.
Mesmo sitiados e famintos, os habitantes de Gaza são capazes de resistir, mesmo depois de seis anos de bloqueio hermético que os forçou a cavar centenas de túneis pelos quais buscaram salvação no vizinho Egito.
Em Ramallah, a Autoridade Palestina – já com baixa credibilidade, deve-se dizer – tornou-se ainda mais irrelevante que nunca. Mahmoud Abbas tentou impor-se, ele mesmo, como um lado do conflito, falando de uma resistência popular, mas pacífica, em discurso televisionado. Convenientemente, explicou que a guerra israelense era tentativa de coagi-lo a não reivindicar o status de membro (quase) sem direitos para a Palestina, na ONU. E, enquanto os líderes israelenses tentavam entender a nova variável na velha equação israelense sempre injusta da guerra contra os palestinos, altos dignitários árabes não paravam de desembarcar em Gaza, sinal de que viam, também, que daquela vez as coisas seriam diferentes. Os norte-americanos também perceberam.
Ao mesmo tempo em que a mídia nos EUA falava sobre uma mudança na política externa dos EUA, que passaria a focar-se no sul e sudeste da Ásia, a alarmante natureza da nova guerra obrigou a secretária de Estado Hillary Clinton a voar para Israel, a oferecer mais apoio e mais solidariedade. Líderes europeus fizeram o mesmo, forçados a redemarcar as linhas. Dessa vez, Gaza foi um ponto de divisão e virada, na política regional e na política internacional: a resistência de Gaza foi fator decisivo, numa mudança tectônica.
Muitos em Israel tentaram distorcer os fatos, explicando que um cessar-fogo com o Hamás seria bom para Israel, porque daria “sossego” às comunidades de fronteira. E os objetivos de Israel teriam sido alcançados, de certo modo. O correspondente militar do jornal Ha'aretz, Amos Harel muito se esforçou para suavizar o golpe, dizendo que “A arte de medir o nível do poder de contenção não é ciência exata. Ninguém esperava que ações falhadas contra o Hezbollah em 2006 levariam a seis anos e meio de calma (que por hora ainda persiste) na fronteira do Líbano”.
Mas a questão é que Israel não tinha intenção alguma de obter paz e tranquilidade. Por décadas, Israel obrou para assegurar monopólio completo da violência e, com ele, o poder de punir, prender, intervir, ocupar e “dar lições” a quem bem entendesse, quando quisesse. Os ataques recentes de Israel contra o Sudão, os ataques passados contra o Iraque, a Tunísia, a Síria, as horrendas guerras contra o Líbano e as infinitamente repetidas ameaças ao Irã são eventos vivos na memória.
Não há dúvidas de que houve mudança, e grande. Não que os palestinos tenham conseguido reduzir o desequilíbrio do poder, mas conseguiram impor sua resistência como fator na equação da “segurança” de Israel que, antes, sempre foi determinada exclusivamente por Israel.
Palestinos festejam trégua na Faixa de Gaza
Apesar das pesadas perdas, milhares de palestinos dançaram de alegria em toda a Faixa de Gaza. Ajoelharam-se e rezaram ombro a ombro com os combatentes, agradecendo a Deus pela “vitória”. Havia homens armados, com o rosto coberto, às centenas, entre os gazenses em festa unidos aos combatentes. Israel e seus protetores começaram logo a apontar dedos acusatórios na direção, sobretudo, do Irã. Mas suas palavras naufragaram nos ecos dos cantos palestinos.
Todos os partidos e lados sabem que algo fundamental mudou, embora a batalha esteja longe de decidir-se. Está para começar guerra de outro tipo.
Nota de rodapé
[1] 19/11/2012, The Telegraph, Demien McElroy em: Ariel Sharon's son Gilad calls on Israel to “flatten Gaza”.
Postado por Castor Filho às 00:21:00
(Redecastor)
Israel
Em defesa da Palestina
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admin
– 26 de novembro de 2012Posted in: Geral
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O mítico escritor uruguaio Eduardo Galeano, em artigo já considerado clássico, é uma das vozes mais poderosas a denunciar a política belicista de Israel
Por Eduardo Galeano, no Pragmatismo Político
Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que essa carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.
Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.
Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.
Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.
Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pode arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda-chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?
O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nessa operação de limpeza étnica.
E, como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada “comunidade internacional” existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?
Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas rendem tributo à sagrada impunidade.
Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E, como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima, enquanto secretamente celebra essa jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinas, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.
(Outras Palavras)
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Palestina
ONU reconhece Palestina com aplausos em pé
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admin
– 30 de novembro de 2012Posted in: Capa Outras Mídias
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Decisão da Assembleia Geral coincide com operação israelense que massacrou palestinos confinados em Gaza e soa como relevante mensagem da comunidade internacional
Por Fillipe Mauro, do Opera Mundi
O povo palestino vivenciou nesta quinta-feira (29/11) um de seus maiores avanços diplomáticos e conquistou na Assembleia Geral das Nações Unidas o status de Estado observador. Dos Estados membros com direito a voto no plenário, 138 concordaram com a proposta e apenas nove foram contrários à decisão (EUA, Israel, Canadá, República Tcheca, Palau, Nauru, Micronésia, Ilhas Marshall e Panamá). Outros 41 países se abstiveram.
Antes da votação, palestinos em Gaza e na Cisjordânia já davam como certa a aprovação e ocupavam as ruas de diversas cidades com comícios e celebrações. Embora em meio às multidões estivessem presentem faixas e símbolos dos dois principais partidos políticos do país, o Hamas e o Fatah, o que prevalecia eram retratos do falecido líder Yasser Arafat e a bandeira nacional palestina.
Depois da votação, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que após um dia que qualificou de “histórico” é “urgente” que palestinos e israelenses retomem “negociações” diretas.
“Acho que os palestinos têm seu legítimo direito a ter seu próprio Estado independente e Israel tem direito a viver com segurança dentro de suas fronteiras”, ressaltou Ban, que reiterou que “não pode haver substitutos às negociações diretas”.
Os Estados Unidos, por sua vez, criticaram o novo status concedido à Palestina. ”É uma resolução infeliz e por isso votamos contra”, afirmou a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Susan Rice, que classificou a decisão de “contraproducente”.
No discurso que precedeu o pleito, o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, afirmou que a Palestina “acredita na paz” e que a comunidade internacional está diante da “última oportunidade” para a solução dos conflitos entre os dois Estados.
“A Palestina vem hoje perante a Assembleia Geral porque acredita na paz e porque seu povo, como provou nos últimos dias, necessita dela desesperadamente”, disse. Ele foi ovacionado pela grande maioria dos membros da Assembleia Geral, boa parte de pé, e afirmou que a votação de hoje apresenta “uma obrigação moral”. A seu ver, a janela de oportunidade para a paz “está se reduzindo e o tempo se esgota rapidamente”.
Abbas alega que não foi à ONU para buscar a deslegitimação do Estado de Israel, “mas para afirmar a legitimidade de um Estado que deve agora conseguir sua independência”.
O gesto é interpretado por diplomatas da maior parte dos membros da ONU como uma forma de evitar que as negociações de paz entre israelenses e palestinos tornem-se impossíveis.
Idealizador dos recentes bombardeios a Gaza, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chegou a afirmar que não haverá um Estado palestino até que Israel seja reconhecido como um “Estado judeu”, independentemente de “quantas mãos sejam levantadas” na Assembleia Geral.
“A votação na ONU não mudará nada no terreno. Não antecipará a criação de um Estado palestino, a adiará. Nossa mão (…) sempre estará estendida à paz “, disse o primeiro-ministro em um ato público no Centro Menachem Begin.
Não é o que pensa o ex-primeiro ministro israelense Ehud Olmert, que ao longo dos últimos dias enfatizou seu apoio ao ingresso da Palestina como Estado observador. “Eu acredito que o pedido palestino às Nações Unidas é coerente com o conceito básico da solução de dois Estados. Portanto, não vejo razões para me opor a isso. Uma vez que as Nações Unidas lancem as bases dessa ideia, nós, israelenses, teremos de aceitar um sério processo de negociações”, disse o ex-premiê ao portal norte-americano Daily Beast.
O governo dos Estados Unidos já anunciou que se opõe a essa resolução e que acredita que uma resolução eficiente só poderá ser alcançada bilateralmente entre Israel e Palestina. Ainda submersa em uma crise diplomática com o Irã, o gabinete do democrata Barack Obama tenta preserver ao máximo as relações com o governo de Benjamin Netanyahu, em Israel.
A 67ª sessão também foi marcada pela divulgação de um novo relatório do CEIRPP (Comitê pelos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino, na sigla em inglês) sobre a situação da nova troca de agressões entre Israel e Palestina.
De acordo com o órgão, que foi fundado em 1975 pelas Nações Unidas, “Israel se recusa veementemente a refrear seus assentamentos ilegais, que continuam a intensificar o sentimento de desconfiança, a elevar as tensões e a prejudicar uma solução baseada em dois Estados”.
O documento também acusa Israel de agir “punitivamente” por ocasião da admissão da Palestina como Estado membro da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em outubro do ano passado. À época, Tel Aviv “congelou as remessas de impostos sobre valor agregado à ANP” e “anunciou a construção de mais duas mil moradias em assentamentos”.
(Outras palavras)
Israel
Sayyed Nasrallah: “Cada palmo da Palestina ocupada é território da Resistência”
25/11/2012, Batoul Wehbe, Al-Manar TV, Líbano
“Sayyed Nasrallah: Each Spot in Occupied Palestine is Our Target” [*]
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Em discurso transmitido pela televisão na 10ª noite de Muharram, o Secretário-Geral do Hezbollah, Sayyed Hasan Nasrallah alertou a entidade sionista de que, caso o Líbano seja atacado, cada palmo da Palestina Ocupada é território da Resistência. E renovou seu apoio à Síria, em todos os campos.
Sayyed Nasrallah (E) Multidão(D)
‘Israel’ [1] é, de fato, mais fraca que teia de aranha
Sua Eminência congratulou-se com todos os grupos da Resistência em Gaza, pela vitória sobre a entidade sionista. Sayyed Nasrallah disse que “em Gaza vimos vitória real e completa, por mais que alguns mercenários a serviço de ‘Israel’ tentem encobrir os fatos, como também fizeram em julho de 2006 e na vitória de Gaza em 2009”.
O Secretário-Geral do Hezbollah lembrou aos governos árabes, mesmo sabendo que dificilmente o ouviriam, que Gaza e a Palestina “precisam, além de palavras de simpatia e visitas, também de armas, dinheiro e apoio efetivo. Gaza já fez por merecer o apoio de todos os governos árabes, porque nunca desistiu da Resistência e vive hoje de vitória em vitória”.
Sua Eminência, o secretário-geral do Hezbollah, destacou que, no recente confronto em Gaza, ‘Israel’ mostrou que é mais fraca que uma teia de aranha.
“Quando o Irã apoia os movimentos de Resistência, faz o que é seu dever fazer, do ponto de vista ideológico e estratégico, e o Irã não espera qualquer retribuição” – disse Sayyed Nasrallah, que também alertou contra o risco das tentativas superficiais para apresentar o inimigo, como amigo.
“Em todo mundo árabe e muçulmano, há quem tente apresentar ‘Israel’ como amiga e o Irã como inimigo. Mas ‘Israel’ nada dá em troca dessas solidariedades de ocasião, por causa da natureza criminosa e agressiva dos governos sionistas. Digo a todos os que assim falam, que seus esquemas estão condenados ao fracasso”.
“Dia após dia, os povos árabes e islâmicos veem que o Irã é amigo solidário, que os apoia. Foi o que mais uma vez se confirmou na recente confrontação na Faixa de Gaza, como já se vira antes, no Líbano”.
O que distingue o Bahrain é que, ali, o levante é pacífico
O Secretário-Geral do Hezbollah renovou o apoio da Resistência ao povo do Bahrain e à sua revolução pacífica, conclamando o governo do Bahrain a atender às justas demandas do povo bahraini, que mantém consciência clara do que quer, apesar de toda a injustiça e da opressão que sofre.
Sua Eminência também falou dos países da Região “que insistem em impedir qualquer solução positiva para o povo do Bahrain. Disse que aqueles governos que não defendem o povo do Bahrain temem que a luta por reformas que hoje mobiliza os bahrainis venha a alastrar-se para as ditaduras vizinhas”.
Sayyed Nasrallah (telão ao fundo) e plateia (1o. plano)
Estamos com a Síria, com toda a Síria
Sobre a crise na Síria, Sayyed Nasrallah disse que o Hezbollah está ao lado dos oprimidos em todos os países onde haja oprimidos, e que temos de saber discernir claramente quem é oprimido, em cada caso.
“Hoje, na Síria, toda a Síria é oprimida, todo o povo, o exército, a própria existência da Síria está ameaçada, porque a Síria foi convertida em alvo de ataque em vários níveis” – disse Sua Eminência.
“Dissemos, ano passado, que é direito legítimo dos sírios exigir reformas, [2] e continuamos a respeitar esse direito legítimo dos sírios”.
Defender hoje os sírios oprimidos implica exigir o fim dos combates e o fim da matança, para preservar a Síria íntegra e unida, para que o país consiga recuperar-se. Qualquer outra posição é trabalhar pela destruição da Síria”.
Somos pelo diálogo, mas nos ergueremos contra os que se ergam contra nós
O secretário-geral do Hezbollah destacou a importância de haver segurança, estabilidade, paz e coexistência civil pacífica entre todos os grupos que constituem a sociedade libanesa. Repetiu que “todas as acusações que se fazem contra o Partido da Resistência são falsas, injustas e sem qualquer prova; são, sempre, ações complementares aos assassinatos e outros atos de violência.” Sua Eminência repetiu que o único inimigo do Hezbollah é ‘Israel’. Que o Hezbollah não tem inimigos no Líbano, nem nos demais partidos políticos, apesar das muitas diferenças de opinião.
“Sempre acreditamos e continuamos a acreditar que o diálogo e a ação política são a única via para superar as crises no Líbano. Não rejeitamos a possibilidade de sentar para dialogar a qualquer momento. Mas não aceitamos que se imponham condições para o diálogo ou que se levantem acusações falsas contra nós. Digo hoje que continuamos, como sempre fomos, a favor do diálogo, da convergência e de uma solução política, mas nos ergueremos contra os que se ergam contra nós”.
Toda a Palestina Ocupada está sob nosso controle
Sayyed Nasrallah
Sayyed Nasrallah revelou que a Resistência islâmica já tem meios para alcançar com seus mísseis todos os territórios ocupados, “da fronteira do Líbano até a fronteira da Jordânia e o Mar Vermelho, de Kiryat Shmona a Eilat. O tempo quando ‘Israel’ podia nos ameaçar acabou. A temida ‘Israel’ já não existe”.
Sua Eminência continuou: “Como um inimigo que se deixa abalar por uns poucos foguetes que caíram em Telavive vindos de Gaza suportará milhares de mísseis que cairão sobre Telavive e outras cidades?”.
A crescente ameaça que enfrentamos é o esquema sionista/norte-americano
O Yazeed dessa era, que temos de enfrentar é o esquema sionista/norte-americano que ameaça nosso povo, nossa dignidade, religiões e locais sagrados. Essa confrontação permanece, como nossa absoluta prioridade” – disse o secretário-geral. Sayyed Nasrallah lembrou as ofensas ao Profeta Maomé “que vimos nos meses recentes”. Disse que hoje, 10º dia de Muharram, “é dia de fazer sacrifícios em defesa do Mensageiro de Alá. Todos os que ofendam nosso Profeta ou tentem fazê-lo saibam que não toleraremos nenhuma ofensa e que estamos prontos a defender nosso Profeta e sua dignidade. E hoje lembramos com o Imã Hussein, em defesa do Profeta Maomé, e que todo o mundo ouça nossa voz: ‘A teu serviço, Mensageiro de Alá”.
“Como todos os anos, no 10º dia de Muharram, relembramos a posição histórica do Imã Hussein e dizemos a todos os tiranos, os corruptos e os que desconfiem de nossa decisão: nenhuma possibilidade é mais remota, que a de nos deixarmos humilhar” – Sayyed Nasrallah concluiu.
Notas dos tradutores
[*] Esse artigo é tradução da versão em inglês, divulgada hoje pela rede Al-ManarTV, do Líbano. Todas as correções, sobretudo as feitas a partir da versão original em árabe, são bem-vindas.
[1] O Hezbollah não reconhece o estado de Israel, ao qual se refere, quase sempre, como “entidade sionista”. Por isso, quando ocorre, a palavra ‘Israel’ é usada com aspas simples, convenção que mantemos nessa tradução.
[2]Sobre a posição do Hezbollah quanto a Síria, ver também “Assange entrevista Nasrallah” (16/4/2012, Russia Today) em português.
(Redecastor)
Fellini
Os Sonhos de Fellini
por Mariana Keller em 27 de abr de 2012 às 03:14
Os sonhos do cineasta italiano foram de extrema importância para a composição de toda a sua obra cinematográfica.
É só observar com um pouco mais de atenção os filmes de Frederico Fellini para perceber que os sonhos e a imaginação estão muito presentes.
Para o cineasta italiano, os sonhos sempre foram a melhor parte da vida. O momento em que ele podia contar histórias para si mesmo. Quando tinha seis anos, Fellini nomeou as paredes de seu quarto com os nomes dos cinemas de sua cidade, pois acreditava que assim poderia mudar o roteiro de seus sonhos de acordo com a posição que dormia.
Já com quarenta anos, aconselhado por seu psicanalista jungiano, ele escreveu e ilustrou todos os seus sonhos durante quase três décadas. Foi aí que surgiu o livro dos sonhos, um caderno com capa de couro e páginas de papel de desenho que ele mantinha em sua cabeceira. Dizem que ele chegou a juntar quatro volumes, mas apenas dois foram encontrados. Para os fãs do diretor, em 2007, eles foram transformados em um grande livro de 600 páginas por uma editora italiana que o nomeou de “Il Libro dei Sogni” e que depois também ganhou uma versão em inglês.
Os desenhos dos sonhos revelam um inconsciente repleto de erotismo, medo, desejos, remorsos, traumas e outros tipos de sentimentos que marcaram a vida do diretor. Mas o personagem mais marcante é a figura de mulheres gigantes, corpulentas e sempre com um ar sexual. Fellini também aparecia frequentemente nos próprios sonhos e sempre muito pequeno e, na maioria das vezes, dominado por esses mulherões ou sendo protegido por elas, fato que podemos associar como uma lembrança de suas musas e de sua própria mãe.
Além das mulheres, podemos observar as relações conflituosas do cineasta com o mercado cinematográfico, com produtores e outros diretores. Também apareciam artistas que Fellini admirava e pessoas de sua família, principalmente o irmão Riccardo Fellini. Tudo isso acompanhado de anotações com letras bem pequenas e que descrevem as cenas de forma subjetiva.
Grande parte desses sonhos inspirou Fellini em sua obra cinematográfica. Como as crises de criatividade e as diferentes mulheres admiradas pelo protagonista de “Oito e Meio” e a aparição do mostro marítimo do simbólico final de “A Doce Vida”, por exemplo. Tudo fruto do mundo inconsciente do diretor.
“Existem duas vidas: uma com os olhos abertos e outra com os olhos fechados”, disse Fellini. E quem poderá contestar? Cabe a nós conseguir conciliar as duas tão bem quanto ele conseguiu.
marianakeller
Artigo da autoria de Mariana Keller.
Observadora e sonhadora, faz de cada sorriso e olhar alheio uma história inventada..
Saiba como fazer parte da obvious.
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